O Poder do Perdão

              “Perdoar. Como é difícil entender aquela pessoa que nos maltratou, nos agrediu, nos decepcionou! Muitas vezes dizemos mentalmente: “Meu Deus, sei que é preciso perdoar, mas não consigo!”.
O que fazer? Muitas vezes também caímos na culpa, mas continuamos não perdoando e para nos livrarmos dessa angústia, preferimos culpar totalmente o outro, nos isentando de nossa parcela de erro. Em outras situações acontece o contrário: perdoamos tudo. Pessoas nos agridem, nos maltratam, nos humilham, não respeitam nossos valores e permanecem sempre praticando os mesmos erros sem se modificar como se fossemos obrigados a aceitá-los, num processo neurótico de vítima e algoz. E perdoamos, perdoamos indefinidamente, suportando e admitindo aquela situação, buscando desculpas para justificar para nós mesmos e para os que nos rodeiam o porque da nossa escolha. Estamos sempre nos extremos, ora presos ao rancor e ressentimentos, ora presos ao medo da perda, o que nos leva a fechar os olhos aos que nos rodeiam, porque temos medo de nos responsabilizar pela nossa própria vida.
O mundo é apavorante!Perdoar

Mas não podemos nos esquecer que esse mundo é sempre um reflexo de nós mesmos. Se nos modificarmos e entendermos o porque dos nossos medos e inseguranças, esse “mundo” será diferente para nós. Perdoar não é ser complacente com os erros dos outros e aceitar tudo o que nos fazem, ou benevolentes demais conosco, num processo de fuga de nossas responsabilidades. Jamais podemos esquecer que cada ser humano é responsável por si mesmo no seu processo de individuação.
Avaliamos os outros e nós mesmos conforme as crenças que trazemos baseados num código moral que fomos desenvolvendo ao longo dos tempos e também através da nossa relação com a família e com o meio e, nem sempre, essa “consciencia” adquirida condiz com a realidade. Geralmente há necessidade de nos distanciarmos de pessoas que causam problemas ou sofrimentos e isso não significa que não nos importamos com elas, mas que temos amor por nós mesmos, porque quem se ama não permite ser colocado em posição humilhante ou de padecimentos. Esse distanciamento não quer dizer rancor ou ressentimento, mas compreensão e aceitação. Estamos num processo de evolução, tendo esse entendimento ou não. Cada um de nós está num patamar evolutivo e, por conta disso, temos que entender que somos seres falhos, mesmo porque o erro e a sua consequente correção é o que nos leva a um plano superior.
Perdoar é ter compaixão com nós mesmos e com o semelhante. Devemos estar abertos a compreensão e aceitação dos nossos erros e dos outros.
É muito comum, ao nos depararmos com nossos erros, cairmos na culpa. Muitas vezes esse sentimento é tão forte que caímos na tristeza e até em depressão. Ficamos na angústia de querer corrigir os erros e, consequentemente, não nos perdoamos. Se simplesmente deixamos de dizer ou fazer alguma coisa, ou falamos demais , encaramos isso como falha nossa. Então surge a culpa e, mais uma vez, não nos perdoamos. Não entendemos que naquele momento em que o fato aconteceu não nos era possível agir de outra forma. Se fosse possível sermos perfeitos o tempo todo não sofreríamos.
Só perdoamos os outros se perdoarmos a nós mesmos. O auto perdão é condição essencial para que a compaixão e a generosidade possam surgir em nós. Devemos ter a coragem de olhar a nossa imperfeição e a dos outros com humildade. Nos predispor a nos conhecer profundamente e com objetividade, entendendo que a perfeição já existe em nós, uma vez que somos divinos, embora essa divindade esteja escondida pelas camadas do eu inferior.
Na verdade temos dificuldade para perdoar porque nos achamos superiores, muito importantes. Não suportamos encarar as nossas misérias interiores e as mascaramos com uma superioridade falsa. Só quando resolvermos olhar o nosso eu inferior de frente, estaremos mais abertos para nos perdoar e, consequentemente, ao próximo.”

Texto de Cristina Azeredo, Psicoterapeuta Holística, Renascimento e TVP

4 comentários em “O Poder do Perdão

  1. Excelente texto! A eterna busca pelo caminho do meio. Nem muito, nem pouco e na atualidade em que os extremos estão a flor da pele torna-se maior o esforço em gerar o AMOR suficiente para depois colhermos a tranquilidade.

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