Formas de Amor

      É sempre proveitoso manter em mente a Lei da Dualidade do Universo. Tudo tem seu lado positivo e seu lado negativo (Yin e Yang). Nenhum é totalmente bom e nenhum é totalmente mal, apenas se interagem e se completam para a manutenção da dinâmica universal.
O texto a seguir faz parte de um dos primeiros livros de Paulo Coelho. Já li o teor em outras obras de Sabedorias Antigas e admiro o autor pela clareza de suas palavras.

“””Existem três palavras gregas para designar o amor: Eros, Philos e Ágape. Cada qual pode apresentar muitas manifestações.
erosa menor

O amor que, por razões tão diversas quanto são as estrelas no céu, une duas pessoas é Eros. Quando essas duas pessoas conseguem participar da aventura que é um relacionamento a dois, construindo patrimônios e educando os filhos, de maneira que sintam alegria e realização nessas ações (e em tantas outras), enfim, quando sonham seus sonhos e conseguem somá-los e realizá-los dentro do que lhes é possível, então estão sob a influência boa de Eros.
Mas se uma dessas pessoas (ou ambas), sente que teve de abdicar de algo ou de algum sonho que lhe era importante para poder viver esse amor, se pensa que se sacrificou por causa desse sentimento, então, ao invés da criação conjunta, cada um irá se sentir roubado em sua maneira de amar. Eros, o espírito que os une, irá começar a mostrar seu lado mau. E aquilo que Deus havia destinado ao ser humano como seu mais nobre sentimento, passará a ser fonte de frustrações e, consequentemente, de ódio e destruição.

Apesar de poder ser bom e mau, a face de Eros nunca é a mesma em cada pessoa. Cada ser vivo é um universo particular. E ninguém pode escapar de Eros. Todos têm necessidade de sua presença _ apesar de muitas vezes Eros fazer com que nos sintamos distantes do mundo, trancados em nossa solidão.
Existe o Eros Frustrado, aquele manifestado pelas pessoas que se realizam na infelicidade dos outros, pelas pessoas que só são capazes da inveja, da falta de confiança, da superficialidade, que demonstram nos gestos e ações a tentativa de colocar todas as coisas em ordem porque elas mesmas estão em desordem.
Existe o Eros Aceito, que é o Amor Social, desprovido de qualquer vestígio de emoção, demonstrado pelas pessoas que aceitaram seu papel na sociedade e cortaram os laços com o mundo e com o Bom Combate, sujeitando-se assim à uma solidão consentida.
O amor adolescente, que ainda não sofreu as desventuras da mentira, da traição, da desconsideração, etc. (conceitos errôneos e puramente culturais) e da hipocrisia dos pré-conceitos das gerações passadas, é uma das manifestações do Eros Bom.
Aquelas pessoas que conseguem manter a sinceridade, o diálogo e o espírito desarmado (ausência de malícia) nas suas mais diversas formas de amar, manifestam o Eros Bom.
E Existe a forma mais bela de Eros, que é quando ele se une a Philos.

cumplicidade menor Philos é o amor que se fundamenta na amizade. É aquilo que eu sinto por você. É aquele sentimento que mantém os pares juntos quando Eros não consegue mais brilhar. É o amor que nasce da reciprocidade da cumplicidade, do conhecimento, do respeito, da confiança, da consideração, etc… É o amor que manifestamos com toques físicos sem o objetivo do contato sexual – o abraço, o aperto de mão, o toque nos cabelos, o beijo no rosto ou até mesmo nos lábios.
Philos também pode criar Eros, dando origem assim ao amor mais sólido, mais sereno, mais profundo, mais espiritual.

Todos nós corremos atrás de Eros e, quando ele se transforma em Philos, achamos que o amor é inútil… Não percebemos que é Philos que pode nos conduzir até Ágape, que é a forma do amor maior.
ÁgapemenorÁgape não pode ser falado, apenas sentido. Podemos até tentar descrevê-lo, mas isso não é suficiente. “Ágape é o amor que devora”. É o amor total, que devora quem o experimenta. Aquele que o conhece sabe que nada mais neste mundo tem importância, apenas amar. Esse foi o amor que Jesus sentiu pela humanidade. E existem duas manifestações de Ágape…

Durante os milênios da Civilização, muitas pessoas foram tomadas por Ágape. Tinham tanto para dar e o mundo pedia muito pouco, por isso foram obrigadas a buscar desertos e lugares isolados porque o Amor era tão grande que as transfigurava. Viraram os santos e sábios ermitões que hoje conhecemos.
Eu e você, que experimentamos a outra forma de Ágape, podemos julgar e sentir que a aventura de viver é dura, mas o “Amor que Devora” faz com que tudo, absolutamente tudo, perca a importância. As pessoas que sentem Ágape vivem apenas para serem consumidas pelo seu amor. São elas que, com seu Amor, ajudam a manter o equilíbrio do planeta.
Quando Cristo e Buda ensinaram a amar nossos inimigos (inclusive os inimigos internos), estavam se referindo à Ágape, pois é praticamente impossível amar aqueles que nos fazem mal e que tentam amesquinhar o nosso já tão sofrido dia-a-dia.
Ágape é muito mais que amar. É um sentimento que invade tudo, que preenche todas as frestas e faz com que todas as tentativas de agressão se tornem pó.

            A outra face de Ágape é o Entusiasmo, que entre os antigos, significa transe, arrebatamento, ligação com a Consciência Superior.

entusiasmoO Entusiasmo é Ágape dirigido a uma ideia, a um objetivo. Todos nós já passamos por isso. Quando amamos e acreditamos com toda a força de nossas almas em algo, nos sentimos mais fortes que o mundo e somos tomados por uma serenidade que vem da certeza de que nada poderá vencer nossa fé. Esta força estranha faz com que sempre tomemos as decisões certas, na hora exata e, quando atingimos nosso objetivo, ficamos surpresos com nossa própria capacidade. Porque durante o Bom Combate, nada mais tem importância, estávamos sendo levados através do Entusiasmo até a nossa meta. Ágape, nesta forma, é acreditar com o espírito, é crer sem a interferência da razão, é saber sem conhecer o porquê.
É possível perder o Entusiasmo por causa das nossas pequenas e necessárias derrotas durante o Bom Combate. E como não sabemos que o Entusiasmo é uma força maior, voltada para a vitória, finalmente deixamos que ele escape por nossos dedos, sem notar que estamos deixando escapar também o verdadeiro sentido de nossas vidas. Culpamos o mundo por nosso tédio, por nossa derrota e esquecemos que fomos nós que deixamos escapar essa força divina e arrebatadora que justifica tudo.

         Quando experimentamos juntos o “Amor que devora”, compartilhamos do Absoluto. O Absoluto mostra a todos os seres humanos o que realmente eles são: uma imensa teia de causas e efeitos, com cada pequeno gesto de um interferindo na vida do outro.”””

paulocoelhob menor

“Um discípulo nunca pode imitar os passos do seu guia porque cada um tem a sua maneira de ver a vida, de conviver com as dificuldades e com as conquistas. Ensinar é mostrar que é possível, aprender é tornar possível a si mesmo”.
_Paulo Coelho.

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