Flutuando no Olho D’Água

      Me entregar às águas cristalinas do “Olho D’Água” e experimentar a dimensão do “Da Prata” foi uma experiência mágicka e marcante!

É dito que viajar amplia nossos horizontes e é pura verdade. Aprendo muito sobre novos lugares, costumes, arte, culinária, religiosidade, moda, expressões e por aí vai. Só que tem uma coisa mais importante que isso tudo. Viajar faz com que eu aprenda mais sobre mim mesma.

Agosto passado fomos conhecer um pouco das riquezas naturais do Mato Grosso do Sul. De 08 a 11 em Bonito e de 12 a 14 em Passo do Lontra (Corumbá). A postagem “Natureza na Veia” dá uma panorâmica legal, confere lá! Mas esta postagem é para falar sobre a experiência mais marcante que tive durante essa viagem: a “Flutuação pelos rios Olho D’Água e Da Prata”, no dia 11.
Eu não sei nadar, nem boiar, razões suficientes para me deixar um tanto receosa. Os outros motivos para me deixar apreensiva eram o desconhecimento total do trajeto e das características dos rios, estar rodeada de pessoas desconhecidas e o frio medonho que estava fazendo! O Dia estava lindo mas devia estar perto dos 10 graus! Além do frio lá estava o nervosismo, combinação que me fazia tremer ridiculamente.
O “Recanto Ecológico Rio da Prata” é lindo. Uma fazenda gigantesca com duas atividades principais: criação de gado e turismo ecológico. Na sede, que possui toda infra estrutura para o passeio, recebemos as roupas e as primeiras instruções. Se vestir um traje de neoprene é naturalmente difícil, imagina tremendo de frio e nervosismo! E também tinha o calçado emborrachado, igualmente complicado para calçar principalmente com o dedo do pé quebrado!
Luis, nosso guia, explicou várias coisas sobre o passeio até que mencionou a temperatura dos rios: 24º no Olho D’Água e 18º no Da Prata. Já fiquei mais animadinha ao saber disso!
Da sede até o acesso à mata são uns 20 minutos no Uber Pantaneiro, um caminhão com bancos na carroceria e todo aberto. Lá fui eu sentindo tanto frio que estava impossível de curtir a paisagem e fiquei pensando como conseguiria enfrentar quase duas horas de água com esse frio todo. Chegando na mata iniciamos a caminhada, de uns 40 minutos, até a nascente do Rio Olho D’Água e foi bom porque me fez aquecer e pude reverenciar vários Guardiões, Elementais, Orixás, Odus e Guerreiros.
Quando chegamos na nascente fiquei abestalhada! A cristalinidade da água é absurda! E adivinha só! Muitos coletes para quem quisesse usar! E é óbvio que eu quis! Apesar de afirmarem que a roupa de neoprene ajuda a flutuar, eu quis garantia extra!
Pedindo as devidas permissões, entrei na água e abestei de novo! Uma coisa é ouvir que a temperatura constante do Olho D’Água é 24º, a outra é sentir. Aconchegante! Relaxante! Delicioso! Esqueci do frio!
Antes de iniciar a flutuação era preciso realizar uma volta pela nascente a fim de pôr em prática as regras da flutuação, muito bem explicadas pelo guia Luis. A correnteza é um pouco forte e não consegui completar a volta pela nascente, faltou braço. Percebendo minha dificuldade, o Luis me ajudou e acabou me rebocando a maior parte do trajeto.
Iniciamos a flutuação e… não sei o quê dizer. Mágicko! Escrito assim mesmo! Eu estava voando dentro da água! Uma vibração que nunca senti! É um outro mundo, em vários sentidos.
O rio Olho D’Água, cuja profundidade é pouca e por vezes quase nada, estava com a visibilidade total, mas havia chovido na cabeceira do Da Prata e quanto mais próximo dele, mais turva a água ficava. Isso estava me afligindo. É sempre incômodo quando a tola sensação de “controle da situação” torna-se zero! A minha situação estava ficando tensa com o Da Prata e seus cerca de nove metros de profundidade se aproximando, a temperatura esfriando e a visibilidade diminuindo. E justamente pouco antes do encontro dos rios o guia deixou de me rebocar!
E eis que os rios se encontram… E esse encontro forma um abismo… Eu estava sozinha, solta, flutuando sem saber nadar, sem enxergar direito, sem conseguir ver o fundo do rio, com o guia fora do alcance da minha mão, sem saber onde o marido estava, sem conhecer o caminho e sentindo a queda de 6º na temperatura… Nesse momento senti medo.
Sabe aquilo que dizem de “confiar e seguir”? Aquela situação era a materialização dessa ideia. Mordendo o snorkel com tanta força a ponto de doer os dentes e me sentindo completamente insignificante diante da grandeza da Mãe Natureza, simplesmente confiei e segui em frente. Não havia outra alternativa.
E então a água foi começando a clarear, a intensidade do frio a diminuir, o guia apareceu no meu campo de visão, o fundo do rio ficou mais próximo e até o marido conseguiu chegar do meu lado!
Não sei explicar o que me aconteceu porque foi uma vivência em um nível não material e as palavras não são suficientes. Foi como passar por algum tipo de portal emocional e psicológico. Foi mágicko! Escrito assim mesmo!
Só mesmo as imagens para oferecer mais detalhes sobre essa experiência, porque eu não acho palavras que sirvam!

2 comentários em “Flutuando no Olho D’Água

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