Durga, Kali e o Poder Feminino

Durga contra Mahishasura by deviantartist jegatharsan

         O Hinduísmo é uma das poucas religiões que reconhece
a importância da polaridade feminina
na energia criadora de todo o Universo.

O entendimento de Shakti – a polaridade feminina da energia – é tão profundo que suas escrituras ancestrais afirmam repetidamente que desrespeitar um ser vivo do gênero feminino é o maior pecado de todos, sendo assim indigno de perdão!

Durga by deviantartist tanmaymandal


A mais poderosa Deusa Hindu chama-se Durga.
Ela é a personificação da soma de tudo que há de melhor e mais forte no Universo.
Uma Deusa magnífica criada pelos Deuses que, percebendo a proximidade da derrota durante uma batalha contra um poderoso demônio, vibraram Shakti, provocando, assim, o surgimento de Durga. Cada item e cada arma que ela carrega lhe foi presenteado pelos Deuses que a criaram e são o que cada um deles tem de melhor.

Durga by deviantartist kevinsidharta

Mahishasur, o poderoso demônio búfalo que quase derrotou os deuses, guerreou ferozmente com Durga, usando todas as suas armas, mas a Deusa Durga era imbatível.
Ela revida todos os seus ataques e truques baixos e, por fim, lhe decepa a cabeça, trazendo de volta o equilíbrio entre o bem e o mal no universo.

A palavra “Durga” significa fortaleza, o que passa a ideia de força, proteção, resistência e quando acompanhada pela palavra “Maa” (mãe) soma-se o aspecto maternal, quando a Deusa assume o amor incondicional, protegendo seus filhos, que são todos os seres do Universo.

Mesmo sendo tão poderosa e forte, Durga Maa (Mãe Durga), consegue ser ainda mais formidável quando se transforma em Kali.
A “Deusa Negra” de olhos furiosos, língua projetada, cabelos imensos, colar de crânios e saiote de pele de cheeta com enfeite de membros decepados é o aspecto mais guerreiro da força de Shakti. Ela é a personificação do poder da energia feminina em iminente descontrole total, o caos que precede qualquer transmutação, a escuridão que antecede a iluminação! Encerra em si os três aspectos do ato cósmico: a criação, a preservação e a aniquilação.

Batalha do ego – google imagens

Durante mais uma batalha contra o desequilíbrio universal, Durga se irrita com o poder de Raktbeej, um super demônio criado por vários outros, que conseguia se replicar a cada gota de sangue que caía de seus ferimentos. Todos os golpes que Durga desferia contra Raktbeej criavam mais demônios e isso foi enfurecendo-a. Até que essa tremenda fúria gerou uma intensa vibração de Shakti, criando assim Maa Maha Kali, a Grande Mãe Kali, que transcende o Tempo, a Morte e a Existência, pois encerra em si mesma esses aspectos.
Então Kali degola Raktbeej e com sua enorme língua coleta todo seu sangue antes que caia no chão, fazendo o mesmo com todos os outros demônios até a vitória final. Acontece que seu entusiasmo com a vitória, somado ao veneno do sangue que precisou beber, causou-lhe um êxtase frenético. Ela se empolga descontroladamente e quase destrói o universo com sua dança da vitória! Percebendo o descontrole de sua amada e temendo pelo fim do mundo, Shiva deita-se no chão e imita uma criança a chorar.
O choro de uma de suas crianças resgata o forte instinto maternal da Grande Mãe de Todos os Seres, ajudando-a a recobrar seu equilíbrio. Ela estanca sua dança imediatamente, devolvendo assim o universo ao seu ritmo normal.

Kali by deviantartist “redreevgeorge”
Kali by deviantartist “annekaretnikov”
Kali by deviantartist “andranik88”

Maha Kali é a Senhora do Tempo, indomável e independente. Sua essência selvagem põe a estabilidade das coisas em risco, promovendo assim a dinâmica do universo.
Ela destrói para recriar, produz sofrimento para que possamos evoluir e sua aparência assustadora é o meio para vencermos nossos medos, assumindo-os ao invés de negá-los.
Quando não conseguimos afastar o mal com a força de nossas virtudes e boas ações, rogamos à Maha Kali, que se enfurece e assusta as forças do mal para longe da nossa vida.

Recitar um Mantra é a melhor forma de conectar-se com a frequência vibratória da Grande Mãe, ou com a vibração de qualquer outro Deus ou Deusa do Hinduísmo. Também são muito usados no Budismo, mas isso é outra história.

O Mantra é uma ferramenta composta de algumas palavras, ou de versos ou até por uma única sílaba (o “Bija”) que, quando pronunciados de acordo com regras ritualísticas e musicais, ajudam a afinar nossa frequência vibratória e conduzir a nossa mente.
Os objetivos para se recitar um Mantra são os mais variados possíveis, desde alcançar uma experiência espiritual específica até simplesmente porque o som nos é agradável.

A palavra “Bija” significa semente mas não representa objetos ou sentimentos.
Um Bija Mantra é uma experiência energética. É um som que conecta a pessoa à uma fonte energética específica no universo. Por exemplo, HRIM é o bija mantra de Brahma, “o Criador”, SHRIM é o bija mantra de Lakshimi, “a Provedora”, KRIM é o bija mantra de Kali, “o Supremo Ser Feminino”.
O Bija mais famoso é o “OM”, o som do universo em si e, por isso, faz parte de todos os demais Mantras.
Existem muitos Mantras de Kali. Pesquisar e tentar conhecer a mensagem que cada um carrega é importante. Depois é preciso ouvi-lo para saber se há afinidade. Aconselho ouvir pelo menos em três oportunidades diferentes porque nem sempre um Mantra é agradável logo na primeira vez que ouvimos.
O Youtube é uma excelente fonte para se conhecer Mantras. Existem vários canais respeitáveis e alguns possuem legendas, geralmente em inglês, que ajuda bastante.

Deixo aqui o meu Mantra da Grande Kali favorito. Quando a situação está confusa, o momento está turbulento ou quando me sinto afetada pelos meus fantasmas, me ponho a recitá-lo ou simplesmente deixo seu poderoso som vibrar o ambiente. É fantástico!

“OM KRIM MAHA KALI KAYAE NAMAHA”

Lembre-se que o passar do tempo contribuiu para que a Cultura altamente espiritualista da Índia se tornasse mais conhecida, mas a abrangência de seus ensinamentos ainda é de difícil entendimento para nossas mentes ocidentais… É uma cultura milenar, rica em simbolismos, fascinante e complexa, uma verdadeira experiência energética.
Cada um a sente de forma totalmente particular, assim como toda experiência espiritualista.

Sites que me inspiram: “Shri Yoga Devi” , “Hindu Symbolism” , “Sagar Vandan World” , “Awakening Times” , “Maitreyi Paradigm”

Este post é dedicado a Sonia Figueiredo, mulher forte, independente, corajosa, espiritualista, professora de Ikebana, enfim, uma Mestra querida que o Universo me concedeu a permissão de conhecer!

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2 comentários em “Durga, Kali e o Poder Feminino

  1. Estou impressionado com essa história das deusas hindus! E nós, ocidentais que nos achamos modernos quando somos feministas… hehehehe. Lindas as histórias, vou começar a estudar mais um pouco do hinduísmo. E vou achar um mantra pra mim. Amei!!!

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